© César David Martinez/WWF-Brasil

Rios voadores

Você sabia? 

 

  • Os rios voadores têm uma vazão igual ou até superior à do Rio Amazonas, maior rio do mundo em volume de água

  • Essa imensidão de vapor d’água viaja por milhares de quilômetros pelo continente e é responsável por uma parte significativa da umidade no Brasil. 

  • A água transportada pelos rios aéreos da Amazônia fica a apenas três quilômetros de altura da superfície  

© Zig Koch/WWF-Brasil

O que são rios voadores?

Os rios voadores são cursos de água atmosféricos muito importantes para o sistema climático da América do Sul. Praticamente invisíveis, eles possuem cerca de três quilômetros de altura e milhares de quilômetros de extensão.  

As colunas invisíveis de vapor surgem da evaporação da água presente no Oceano Atlântico. A  umidade gerada nesse processo se movimenta com os ventos alísios e se transforma em chuva na Floresta Amazônica. 

Mas essa água não fica parada: as milhões de árvores presentes na Amazônia absorvem a umidade desses cursos d’água e a devolvem, pela transpiração em seus ramos e folhas, de volta à atmosfera.  

Isso acontece porque as plantas emitem Compostos Orgânicos Voláteis (VOCs), como os terpenos e isoprenos. Esses gases vão para a atmosfera com o ar quente da floresta (graças ao processo de convecção) e começam a esfriar. Com isso, elas se transformam em núcleos de condensação, partículas que servem como apoio para a formação de nuvens carregadas de umidade. 

Esses rios voadores seguem pelo Oeste, até serem bloqueados pelas montanhas quilométricas da Cordilheira dos Andes. 

Uma parte desse vapor se acumula nas cordilheiras e cai como chuva, alimentando as cabeceiras de rios. Outra parcela da água segue, pela atmosfera, para estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, além de países como Bolívia, Paraguai e Argentina.  

Quando esses rios voadores encontram uma frente fria, eles se transformam em chuva, irrigando grande parte do país e ajudando a manter a estabilidade climática.  

Sem esses rios, as regiões do Brasil seriam muito diferentes. Normalmente, entre as latitudes de 30° norte e sul, a tendência é haver desertos: isso acontece por conta do movimento das massas de ar, que empurram o ar seco para essas regiões. Territórios como o Sul do Brasil, por exemplo, não seriam tão úmidos e biodiversos sem esses cursos invisíveis de água. 

Qual a importância dos rios voadores? 

Podemos até não os enxergar sempre, mas os rios voadores são essenciais para a manutenção de diversos ecossistemas na América do Sul.  

Os rios voadores ajudam a regular o clima, já que formam nuvens e distribuem água por grande parte do país. A umidade levada por essas correntes de vapor influencia o regime de chuvas de regiões muito distantes da Amazônia, no Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. 

Esse imenso volume de vapor d’água é extremamente importante para a sociedade e a economia, porque as chuvas abastecem importantes bacias hidrográficas, irrigam lavouras, umedecem o solo e garantem a manutenção da vida no planeta.  
 
Os rios aéreos também contribuem com a formação das nascentes que formam o Rio Amazonas, maior curso d’água do mundo em vazão. Esse rio tem um papel crítico no equilíbrio ecossistêmico da Amazônia, já que fornece alimentos e água para milhões de seres vivos.  

Além disso, esse curso d’água é extremamente importante para as comunidades tradicionais, ribeirinhas e indígenas que vivem ao seu redor e dependem de sua biodiversidade. 
 

Como o avanço do desmatamento e dos incêndios afeta os rios voadores? 

A biodiversidade da Amazônia é diariamente ameaçada por diversas atividades exploratórias, como o desmatamento, a agropecuária, a grilagem de terras, a exploração madeireira e o garimpo.  

Essa devastação constante tem consequências diretas para todo o país. A transformação de milhares de hectares do ecossistema amazônico em campos desmatados reduz a quantidade de água absorvida pela superfície, já que sem as árvores, a chuva corre pelo chão ao invés de penetrar no solo e nas raízes das árvores. 

O abate das árvores também reduz a evapotranspiração, ou seja, parte da água do solo não retorna para a atmosfera. Isso diminui a quantidade de água presente nos rios voadores, desequilibrando o regime de chuvas. 

A falta de precipitação favorece a seca, que, por sua vez, facilita o desenvolvimento de crises hídricas e incêndios florestais. Com o fogo, os rios voadores se transformam em corredores de fumaça, transportando pequenas partículas sólidas e espalhando poluição por todo o país. 

Todos esses fatores potencializam a devastação das florestas e a emissão de gases de efeito estufa, em um verdadeiro ciclo de destruição.  

Por isso, a conservação das florestas é essencial para todos os brasileiros, do Norte ao Sul. Só com a floresta em pé, os rios voadores conseguem levar umidade para o resto do Brasil, permitindo que os ecossistemas do país permaneçam em equilíbrio. 

saiba mais

ÁREAS ÚMIDAS

BIODIVERSIDADE

DOE AGORA
DOE AGORA