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Países debatem repartição de benefícios da biodiversidade

23 Julho 2010 Bookmark and Share

Aranha na trilha Taquaral, Parque Estadual Carlos Botelho, São Paulo, Brasil.

Um dos temas que têm gerado mais expectativas para a COP é a definição de um mecanismo que regulamente a repartição dos benefícios da biodiversidade.

Por Ligia Paes de Barros/ WWF-Brasil

Este Ano Internacional da Biodiversidade está sendo decisivo para a biodiversidade do planeta. Acontece em outubro, no Japão, a décima Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-10/CDB), da Organização das Nações Unidas. Espera-se que nessa conferência sejam definidas metas de conservação da biodiversidade para os próximos 10 anos, para benefício das sociedades e economias.

Um dos temas que têm gerado mais expectativas para essa COP, principalmente por parte dos países em desenvolvimento que são ricos em biodiversidade, é a definição de um mecanismo que regulamente o acesso aos recursos genéticos da biodiversidade e a repartição de seus benefícios (ABS, da sigla em inglês de access and benefit sharing). Esses países esperam a assinatura de um protocolo internacional eficiente sobre o tema.

Para evoluir nesse sentido, o Grupo de Trabalho de ABS da CDB se reuniu, mais uma vez, do dia 10 ao dia 16 de julho, no Canadá, pela última vez antes da décima COP. O objetivo do encontro foi avançar na discussão e trabalhar um texto sólido para ser debatido e aprovado em forma de protocolo pelos representantes dos 191 países membros da Convenção durante a Conferência das Partes.

Entre os principais pontos debatidos na reunião estão a definição no protocolo de como repartir benefícios de modo justo levando em consideração uma distinção entre o uso dos recursos genéticos em sua forma natural e o conhecimento aplicado na modificação dos recursos até que atinjam o formato patenteado, além de como definir o cumprimento desse possível protocolo por parte dos países membros da Convenção.

Para Maria Cecília Brito, secretária de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), que participou da reunião no Canadá, a discussão avançou, mas as perspectivas ainda são incertas. “Houve avanços, mas existe uma clara divisão de interesses e os países não estão conseguindo achar um meio termo. Os países ricos em biodiversidade defendem uma forte regulamentação sobre o tema, enquanto outros querem uma regulamentação sem muitas obrigações”, explica a secretária.

Na opinião do superintendente de conservação do WWF-Brasil, Cláudio Maretti, “comparado com o que ocorreu no passado, até agora, esse debate já representa um avanço, pois os países aceitaram incluir esse tema na parte principal da agenda deste ano e finalmente começaram a negociar a sério”, afirmou. Ele acredita que se os países mais desenvolvidos colaborarem, haverá um ambiente mais favorável na próxima COP em relação às anteriores.

O Brasil e os benefícios da biodiversidade

“O Brasil está acompanhando todas as discussões e se posicionando junto com os outros países megadiversos”, apontou Brito, que destacou como principal objetivo do Brasil conseguir que o protocolo tenha peso de lei, defina maneiras claras de monitoramento e também crie um espaço internacional para monitorar o cumprimento do protocolo em âmbito internacional.

O governo brasileiro, junto com governos de outros países chamados “megadiversos” (África do Sul, Bolívia, China, Colômbia, Congo, Costa Rica, Equador, Filipinas, Índia, Indonésia, Madagascar, Malásia, México, Peru, Quênia e Venezuela), aguardaram por anos, mas agora vem se posicionando mais fortemente do que nunca para que o tema de ABS seja finalmente bem definido na COP-10.

Para Maretti, “é fundamental que o Brasil seja líder nesse tema, que é o menos desenvolvido dos objetivos da CDB, e pressione por uma definição dos outros países”.

Segundo o superintendente, o Brasil é o país mais rico em biodiversidade no mundo e tem o dever de preservar esse patrimônio para benefício próprio e de toda a humanidade, “no entanto, muitas vezes temos que arcar com custos sozinhos da conservação sem ser recompensado pelos outros países pelos serviços ecológicos prestados pela biodiversidade nacional”, ressaltou.

“A conservação da biodiversidade é urgente e os países ricos em biodiversidade precisam ter recursos para investir nessa conservação, e por isso dependem diretamente de um protocolo de ABS forte”, concluiu Maretti.


Para saber mais sobre ABS, consulte o site oficial da CDB e baixe o Kit sobre ABS em inglês ou em espanhol.


Comentários

Lisete P. Rubert

July 23, 2010 - 18:41

Acho que a WWF poderia lançar outras formas de se cooperar para a manutenção da natureza, além de termos cuidados em todos os sentidos para isso, pois se além de cuidarmos da natureza pudéssemos fazer algo mais em favor da natureza, seria o ideal. Por exemplo, eu estou em Campo Grande/MS há uns 30 anos, e logo que cheguei aqui, achava que o povo de Campo Grande, tinha mais respeito para com a natureza que os outros Estados do Brasil. Porém, hoje em dia, vejo que parece que o povo desaprendeu de cuidar da natureza, a prova está na evolução da dengue neste ano, pois que atingiu um número assombroso de pessoas, e veio com uma maior gravidade, pois desta vez, a maior parte das pessoas que tiveram dengue tiveram de ser hospitalizadas. No entanto, no ano passado fomos exemplo para outros Estados do Brasil, de como conter a dengue. Assim, me pergunto, o que ocorreu, pois ao que parece o povo desaprendeu de como evitar a dengue. E olhando em meu bairro, via que embora eu cuidasse da minha casa, as outras pessoas não cuidavam, pois atiravam ao chão: plásticos, copos descartáveis, garrafas de plástico de 2 litros, e até garrafas de vidro. Diante disso, quando estava caminhando pelo bairro, pelo menos em ruas próximas a minha casa, juntava coisas que poderiam dar problema para a natureza, e como consequência, surgir a dengue em meu bairro. E o que me preocupa é que, embora tenhamos consciência de nossa responsabilidade em relação a natureza, os outros não a tem, e aí é que surge o problema todo.
Outra questão que atrapalha o cuidado com a natureza, é os plásticos de supermercado, pois aqui em minha cidade, queria devolver os sacos plásticos para o supermercado, mas eles não aceitaram.
Então, me pergunto, o que fazer, para que as pessoas tenham mais cuidados com a natureza, pois que isto, teria de ser feito agora, já.

 

 

 

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