Untitled Document

site

Certificação cresce no mundo e já é diferencial competitivo

08 Abril 2010 Bookmark and Share

Estande do WWF-Brasil na IV Feira Brasil Certificado

A Feira Brasil Certificado reúne empresas, governos e organizações não-governamentais

As áreas florestais com a certificação FSC cresceram 16% nos últimos três anos

WWF-Brasil participa da Feira Brasil Certificado, entre 7 e 9 de abril, em São Paulo. Evento reúne empresas, ONGs e governos envolvidos com a temática do desenvolvimento sustentável

Bruno Taitson, de São Paulo

A quantidade de florestas e empresas certificadas pelo Conselho de Manejo Florestal (FSC) tem aumentado significativamente nos últimos anos. O número de organizações que obtiveram a certificação de cadeia de custódia – que assegura que todo o processo produtivo acontece em conformidade com padrões de sustentabilidade ambiental e social – tem crescido, em média, 40% ao ano desde 2006. O total já chega a 17 mil instituições no mundo.

Em termos de extensão, a certificação FSC também vem crescendo de maneira expressiva. As áreas florestais referendadas pelo Conselho de Manejo Florestal aumentaram 16% nos últimos três anos. Atualmente são mais de 130 milhões de hectares certificados em todo o planeta. Deste total, 5 milhões estão em território brasileiro.

De acordo com o diretor do FSC Internacional, André de Freitas, a certificação tem se mostrado eficaz não apenas em termos de conservação, mas também como um diferencial competitivo de negócios. “Os produtos certificados têm mais acesso a diferentes mercados no Brasil e no mundo e já existem muitos casos em que os compradores remuneram melhor os produtos que têm o selo FSC”, observa o diretor.

André de Freitas acrescenta que o principal segmento que tem aderido à certificação é a indústria do papel, na fabricação de folhas para impressão, lenços, guardanapos e embalagens. “A demanda tem sido puxada, principalmente, por empresas, mas o consumidor final vem assumindo um papel cada vez mais importante no sentido de exigir produtos de origem sustentável, como aqueles com a certificação FSC”, avalia.

O WWF-Brasil participa da IV Feira Brasil Certificado, em um estande organizado pelo Governo do Estado do Acre, parceiro da ONG ambientalista em diversos projetos. Para Mauro Armelin, coordenador do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável do WWF-Brasil, o crescimento da certificação em todo o mundo é irreversível.

“As áreas certificadas só não crescem mais no Brasil devido aos problemas fundiários na Amazônia e à confusão nos processos de licenciamento ambiental. Ainda é muito difícil licenciar um plano de manejo, o processo é oneroso e lento, durando em média seis meses e às vezes ultrapassando um ano”, critica Mauro Armelin.

Certifcação no Acre

De acordo com Carlos Ovídio (Resende), secretário estadual de Florestas do Acre, o setor florestal do estado atingiu um estágio de maturidade no que se refere à certificação. “No passado, a certificação era vista apenas do ponto de vista ambiental e social. Hoje, no Acre, há empresas que sobrevivem graças ao fato de terem a certificação, pois podem vender seus produtos em diversos mercados, obtendo boa remuneração”, relata Resende.

A certificação FSC assegura que uma área florestal opera de forma sustentável, em obediência a rigorosos padrões ambientais e sociais. O selo também garante, na modalidade cadeia de custódia, que todos os passos do processo produtivo – desde a obtenção da matéria-prima até o ponto de venda – acontecem de acordo com critérios socioambientais e respeito às legislações fiscal e trabalhista.

A Feira Brasil Certificado foi criada há cinco anos para promover o setor florestal brasileiro comprometido com a sustentabilidade, fomentando negócios entre os produtores e compradores de produtos certificados. Na edição de 2009, passaram pelo evento cerca de 3 mil pessoas.

Comentários

Estevao Braga

April 23, 2010 - 01:12

Prezado Evandro,

O WWF-Brasil sempre está aberto a críticas construtivas, e por isso mantemos esse espaço onde qualquer pessoa pode deixar sua mensagem de apoio, sugestão ou crítica. Entretanto, nos sentimos impelidos a responder com fatos suas críticas.

1- Quase a totalidade das empresas certificadas pelo FSC no Brasil, comercializa seus produtos no mercado brasileiro, e uma parte exporta um percentual de sua produção. Por exemplo, entre 60 e 80% da produção brasileira de madeira tropical fica no mercado interno. O que move essa certificação não é uma conspiração estrangeira, e sim consumidores brasileiros (empresas, governos e pessoas) que querem comprar produtos sem destruir as florestas.

2-Se você olhar nosso último relatório da rede WWF (http://assets.panda.org/downloads/wwf_int_ar_a4_di10_low_res.pdf) , perceberá que cerca de 60% de toda nossa arrecadação vem de indivíduos, pessoas comuns como você e eu. Cerca de 8% vem de fundações, 22% de agencias governamentais e apenas 11% do mundo corporativo. A idéia de que estamos a serviço de grandes multinacionais não só é errada, como ilógica. Estamos, e sempre estaremos, a serviço de toda sociedade, e essa sociedade global nos apoia, como mostra o relatório.

Cordialmente,

Estevão Braga
Eng. Florestal
WWF-Brasil

Evandro

April 20, 2010 - 19:38

O trabalho que esta Ong faz no Brasil não passa de uma panacéia, ao usar subsidio publico e privado para fazer marketing de empresas estrangeiras, como o selo (FSC), passar uma idéia enganosa sobre animais silvestres (temos alguns dos melhores Pets do mundo, basta que sejam legalizados junto ao IBAMA). Mas como esta ONG sobrevive de doações de grandes grupos internacionais, que financiam outros grupos que produzem remédios para animais exóticos, cães e gatos, por exemplo, selos de certificação de multinacionais, que nos escravisam e tratam como ignorantes e incapazes. Esta na hora de darmos um basta a este tipo de "organização" que procura representar apenas interesses internacionais, através de metodologias supostamente "pró-meio ambiente", distorce fatos e nos da uma falsa ideia de conservacionismo em favor de grandes grupos capitlistas que expropriam nossos recursos naturais. Crime é dar dinheiro a falsos defensores do meio ambiente, meros representantes do capitalismo internacional, que nos distraem com campanhas manipulativas enquanto seus financiadores nos expropriam

Anabela

April 9, 2010 - 02:21

Venho acompanhando o crescimento do uso do selo FSC no país e fico feliz de encontra-lo cada vez mais nos produtos nacionais. Isso mostra o compromisso das empresas com o meio ambiente e também com o consumidor, que agora tem a opção de escolher por este tipo de produto. Viajei ano passado para europa e por la ate o papel higienico é certificado!! Ficava triste de nao encontrar por aqui tb, local de origem desta madeira toda!! Mas graças ao trabalho em conjunto de empresas, ongs e governo, ja encontramos mais por aqui :-) Esperamos que logo, encontremos tb em todos produtos que se utiliza a madeira!! Vamos la Brasil, rumo ao consumo consciente e sustentavel! \o/

Estevão Braga

April 9, 2010 - 02:18

Prezado Francolino,

Obrigado pela mensagem.

Felizmente a realidade dos preços do produto certificado tem se mostrado cada vez mais favorável ao consumidor brasileiro. No passado era comum encontrar diferenças de mais de 100% entre um produto certificado FSC e um produto comum. Um estudo recente publicado pelo WWF-Brasil identificou que essa diferença caiu para cerca de 8,5% na cidade de São Paulo, maior pólo consumidor de produtos FSC do país. Esse dado mostra dois aspectos importantes: primeiro que há ainda uma diferença entre o produto certificado e o não certificado, o que é importante para estimular o setor produtivo a melhorar suas práticas e, segundo, que essa diferença é muito pequena e não impacta tanto no bolso do consumidor. Alguns produtos, como madeiras de reflorestamento e papéis de impressão e embalagens não possuem mais diferença. A certificação, nesses casos, se tornou uma condição para quem quer se manter no mercado. No caso de madeiras tropicais, o preço da madeira certificada ainda deverá se manter um pouco acima, simplesmente por que essa madeira compete com a madeira ilegal, que não paga imposto nem tem qualquer cuidado com a floresta. É como comparar um CD original com um pirata, sempre o pirata será mais barato. Portanto, quando for adquirir produtos florestais, peça pelo selo do FSC. Ele é a melhor forma de apoiar as empresas que estão manejando as florestas de forma sustentável. De quebra, você ainda cria a demanda por produtos FSC e consequentemente, estimula o aumento da oferta desses produtos, o que, em médio e longo prazo, reduz o custo do mesmo para o consumidor.

O estudo do WWF-Brasil pode ser encontrato aqui: http://assets.wwfbr.panda.org/downloads/boletim_mercado_florestal_3.pdf

Atenciosamente,

Estevão Braga
Engenheiro Florestal
WWF-Brasil

Francolino

April 8, 2010 - 21:51

Desculpem, acabei de encontrar lá em cima. É por que, geralmente, vem ao final do texto! Por sinal, a leitura e o assunto foram muito bons. Mas, não podemos esquecer que o ônus da certificação acaba sendo repassado para o consumidor. Pois, os chamados "produtos verdes" possuem um público alvo de maior poder aquisitivo e grau de escolaridade elevada, dispostos a pagar mais em um produto que considerem ecologicamente correto, de acordo com as pesquisas do Akatu e do Ibope sobre o comportamento do "consumidor verde". A questão é: por que os produtos verdes são mais caros, uma vez que supostamente pregam a conservação do meio ambiente, "do berço à tumba"?

Francolino

April 8, 2010 - 21:45

Vocês bem que poderiam adicionar um botão para que os textos pudessem ser remetidos a alguém.

 

 

 

Comente

captcha

reload